Na manhã desta terça-feira, 22 de julho, o silêncio falou mais alto. Ozzy Osbourne, o eterno Príncipe das Trevas, calou sua voz aos 76 anos. O mundo do rock, acostumado ao barulho, ao caos e às guitarras estridentes, parou. Ozzy morreu — e com ele, um pedaço da alma do heavy metal também se foi.
A notícia foi confirmada pela família em um comunicado emocionado: “É com mais tristeza do que meras palavras podem expressar que temos que informar que nosso amado Ozzy Osbourne faleceu esta manhã. Ele estava com sua família e cercado de amor.” E de fato, não há palavra que traduza o buraco que sua ausência deixa.
Ozzy morreu em casa, na mansão em Buckinghamshire, na Inglaterra. Ao seu redor, estavam Sharon, sua eterna parceira de palco e de vida, e os três filhos — Aimee, Kelly e Jack. Eles cruzaram oceanos para esse adeus, sem saber que seria o último. A morte, dizem os próximos, foi “inesperada”. Mas quando se trata de uma lenda, alguma morte é mesmo esperada?
Um maestro do caos
Ozzy não foi apenas um cantor. Foi um fenômeno. Um maestro da loucura, como ele mesmo dizia, com aquele sorriso meio debochado e os olhos que pareciam esconder mil segredos. Criado nas ruas nubladas de Birmingham, transformou dor em arte, gritos em hinos, e o peso da vida em riffs imortais.
Com o Black Sabbath, deu o primeiro grito do heavy metal. Era como se o trovão tivesse aprendido a cantar. Junto com Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, moldou o som de uma geração. Depois veio a carreira solo, recheada de clássicos como “Crazy Train” e “No More Tears” — e sim, com todas as polêmicas no pacote.
Quem poderia esquecer o episódio do morcego? Em pleno palco, Ozzy mordeu a cabeça do animal lançado por um fã. Entre o grotesco e o teatral, entre o susto e a lenda, nasceu uma das imagens mais marcantes da história da música. Não se sabe até hoje se foi loucura ou gênio. Talvez os dois.
Ozzy morreu, mas e o mito?
Nos últimos anos, Ozzy enfrentou uma batalha discreta, mas pesada. Desde 2020, lutava contra o mal de Parkinson. Foram dias de dores, cirurgias, quedas e superações. Ainda assim, há apenas três semanas, ele subiu ao palco pela última vez. O show se chamou Back to the Beginning — como se ele já soubesse que era hora de fechar o ciclo.
Foi em Birmingham, a cidade onde tudo começou. Lá, diante de milhares de fãs, Ozzy se despediu como viveu: com barulho, emoção e alma. Estavam todos lá, inclusive os parceiros originais do Sabbath. Uma reunião rara. Uma despedida poética. Como se o universo conspirasse para um final digno de cinema.
Muito além do escuro
Apesar da imagem sombria e do título de Príncipe das Trevas, Ozzy também era luz. No reality The Osbournes, mostrou-se pai carinhoso, marido dedicado, figura humana e, por vezes, cômica. Seu carisma transcendia o palco. Era um sobrevivente — dos vícios, dos excessos, das expectativas. E agora, também da eternidade.
“Eu me preocupava mais com a morte quando era jovem”, disse uma vez. “Hoje, malho mais do que nunca.” Era a ironia viva: o homem que viveu no limite, atravessou o inferno e voltou várias vezes, partiu de forma serena, ao lado da família. Sem alarde. Sem palco. Apenas com amor.
Fica o eco
Ozzy morreu. Mas seus gritos ainda ecoam. Nos fones de ouvido, nas camisetas pretas, nos palcos iluminados e nas lembranças dos milhões que ele tocou. A morte levou o homem, mas não conseguiu calar a lenda. Porque algumas vozes, mesmo caladas, continuam gritando por gerações.



