Na última terça-feira (22), o mundo do rock parou. Ozzy Osbourne, o eterno Príncipe das Trevas, se despediu deste plano aos 76 anos. A causa da morte ainda não foi revelada, mas há tempos o vocalista do Black Sabbath travava uma batalha corajosa contra o Parkinson, além de lidar com limitações físicas que vinham se agravando.
Apesar da família ainda não ter divulgado como será o funeral, o próprio Ozzy deixou, ao longo dos anos, pistas — e até roteiros — do que imaginava para sua despedida. E, como era de se esperar, não seria nada convencional.
Em uma entrevista ao The Times em 2011, Ozzy revelou que não queria um clima pesado no velório. “Não quero tristeza. Quero um momento pra agradecer”, disse o roqueiro, como quem já sabia que sua vida foi um espetáculo e tanto. Segundo ele, muitos vivem cercados de dor do início ao fim, mas ele se considerava sortudo: “A maioria das pessoas só conhece miséria. Eu não. Tive uma vida doida, cheia de altos, baixos e guitarras gritando. Então, que meu adeus seja uma festa.”
E claro, como todo bom mestre do caos, ele ainda brincou sobre pregar peças nos convidados do próprio funeral. Imagina só? Estar lá, emocionado, e de repente ouvir batidas vindas de dentro do caixão… Era esse o tipo de pegadinha que Ozzy sonhava em deixar. Em tom bem-humorado, chegou a dizer que poderia gravar um vídeo pedindo uma segunda opinião médica sobre seu diagnóstico de “morto”.
Em relação à trilha sonora da despedida, ele foi direto ao ponto: tanto fazia. “Se quiserem tocar um medley de Justin Bieber, Susan Boyle e We Are the Diddymen, tudo bem! O que importa é que seja um momento feliz, não um velório pra baixo.” Mas em outro papo, dessa vez com a NME em 2016, ele deixou escapar um pedido mais sentimental: gostaria de ouvir “A Day In The Life”, dos Beatles, tocando em sua última passagem. E completou com seu jeitão ácido: “Definitivamente não quero meu álbum de grandes sucessos. Nem escuto aquilo, me dá vergonha.”
Até sobre a lápide ele já tinha pensado. Em 2022, numa conversa com a Rolling Stone, Ozzy refletiu sobre como gostaria de ser lembrado. Algo como: “Ozzy Osbourne, nascido em 1948, morreu assim e assado. Fez muita coisa pra um cara simples da classe trabalhadora. Fez muita gente sorrir… e muita gente se perguntar: ‘quem esse cara pensa que é?’”
Sim, ele sabia que o mundo jamais esqueceria o episódio do morcego (como esquecer?), mas no fundo parecia conformado — até bem-humorado — com isso. “Se eu morrer hoje, amanhã já vão estampar: ‘Ozzy Osbourne, o homem que mordeu a cabeça de um morcego, morreu em seu quarto de hotel…’ Mas quer saber? Tá tudo certo. Pelo menos vão lembrar de mim.”
E vão mesmo, Ozzy.
Você virou lenda. Seu nome ecoa como um grito rouco entre amplificadores estourados, riffs imortais e corações que batem no ritmo do heavy metal. A cortina caiu, mas a música continua.



