Prepare o moicano, aumente o volume e respire fundo: Supla tá de volta! E não de qualquer jeito. Em 2025, o eterno Papito comemora quase 40 anos de uma carreira que desafia rótulos, expectativas e, claro, o tédio. No dia 25 de julho, ele solta o grito com seu 20º álbum, batizado com a alma e a cara de quem nunca passou batido: “Nada Foi em Vão”. Spoiler? O disco é um passeio alucinante entre o rock, o punk, a bossa, o metal, o funk e mais o que der na telha.
Ah, e pra quem curte aquele charme retrô, o álbum chega não só nas plataformas de streaming, mas também num vinil rosa sim, rosa, porque ser punk também é ter estilo.
Uma balada que abraça a vida
O single que dá nome ao disco também estreia no dia 25. “Nada Foi em Vão” não é só uma música, é quase um abraço sonoro. Gravada em Los Angeles com a participação de dois feras da cena americana Marc Orrell (Mighty Mighty Bosstones, Dropkick Murphys) e Jeff Roffredo (The Aggrolites) a faixa traz aquela vibe de estrada, nostalgia e peito aberto.
A letra, escrita em parceria com Tatiana Prudencio (a mente por trás de “Parça da Erva” e “Anarquia Life Style”), reflete sobre recomeços, escolhas, encontros e certezas que a vida, mesmo cheia de ziguezagues, vale cada curva.
Como o próprio Supla canta com a voz rasgada de emoção:
“Seguindo seu coração e escutando a razão, a vida é uma inspiração.”
Um disco com alma coletiva e DNA do Papito
Nada foi feito no automático. Pelo contrário, o álbum foi gestado como uma jam de amigos: 15 faixas com alma, suor e sorrisos tortos — daquele tipo que só quem já viveu sabe dar.
Gravado ao lado da banda Os Punks de Boutique, com quem Supla vem dividindo palcos e ideias há mais de três anos, o disco tem o tempero da convivência e a naturalidade de quem toca junto de olhos fechados. Tem também pitacos do sobrinho Teodoro Suplicy, com quem o Papito já criou letras como “Suplaego”.
“Esse álbum tem uma energia muito boa. A gente chegou num ponto em que a comunicação entre os músicos flui sem esforço. E isso vale também pra galera dos EUA, com quem já fiz turnês com o Brothers of Brazil. Também curto muito trabalhar em grupo, então muitas letras saíram da vibe coletiva mesmo”, contou Supla.
Um som que não pede licença
“Nada Foi em Vão” chega com aquele espírito inquieto que nunca envelhece. É como um soco dançante no tédio, um convite pra quem ainda acredita que o rock e a vida podem (e devem) ser fora da curva.
O disco mistura referências de tudo quanto é canto: do punk nervoso ao rock das décadas de 60 e 70, passando até por incursões que ninguém esperava. Tem peso, tem leveza, tem surpresa. Como uma noite em São Paulo em que tudo pode acontecer.
Discografia de respeito (e atitude)
Com este lançamento, Supla completa 20 álbuns em uma discografia que é um verdadeiro mosaico de fases, parcerias e experimentações:
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2 com o Tokyo
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1 com o Psycho 69
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4 com o Brothers of Brazil
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1 com o S&V
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E agora, pasmem, 11 álbuns solo — todos com aquele carimbo inconfundível: irreverência, atitude e uma vontade danada de viver.
Ah, e não se engane: o punk rock segue firme como veia pulsante por trás de tudo. Depois de “Transa Amarrada”, o novo trabalho vem na mesma pegada libertária, só que ainda mais maduro — sem nunca perder a molecagem.



