Morre Ozzy Osbourne aos 76 anos: o último rugido do Príncipe das Trevas

Morre Ozzy Osbourne aos 76 anos: o último rugido do Príncipe das Trevas

O silêncio caiu pesado no mundo do rock nesta manhã. Ozzy Osbourne, o eterno vocalista do Black Sabbath e um dos ícones mais selvagens e amados da música, faleceu aos 76 anos. A informação foi confirmada pela família, num comunicado de cortar o coração.

“É com mais tristeza do que meras palavras podem expressar que temos que informar que nosso amado Ozzy Osbourne faleceu esta manhã. Ele estava com sua família e cercado de amor. Pedimos a todos que respeitem a privacidade de nossa família neste momento.”

Sim, amigos. O homem que um dia desafiou os céus com um microfone na mão e os olhos banhados de loucura, se despediu de vez do palco da vida.

O adeus veio poucas semanas depois da última cortina

A morte de Ozzy Osbourne acontece menos de três semanas após sua última e simbólica despedida dos palcos. No dia 5 de julho, em um momento que parecia escrito por um roteirista de tragédia grega, Ozzy se reuniu com os companheiros de Sabbath para o evento Back to the Beginning — uma celebração, um acerto de contas com o tempo, um último suspiro entre riffs e aplausos.

O show contou com monstros do metal, como Metallica e Guns N’ Roses, num verdadeiro tributo em carne, sangue e distorção. Emocionado, Ozzy disse:

“Estou de cama há seis anos, e vocês não têm ideia de como me sinto. Obrigado do fundo do meu coração.”

Era o fim. E agora, a gente sabe que era mesmo.

Uma vida digna de roteiro — punk, poética e brutal

Ozzy Osbourne não foi só um músico. Foi um raio que caiu em cima da indústria musical e rachou tudo ao meio. Filho de operários da cidade cinzenta de Birmingham, nasceu sob o peso do ferro e da fumaça. Enfrentou abusos, dislexia, pobreza, prisão e fantasmas — muitos fantasmas. Ainda assim, virou rei.

Nos anos 60, fundou com Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward uma banda que trocaria de nome algumas vezes antes de fincar a bandeira do medo no coração do mundo: Black Sabbath. Batizada a partir de um filme de terror, a banda inventou o que hoje chamamos de heavy metal.

O primeiro álbum, lançado em 1970, foi uma pedrada sonora. E Ozzy, com sua voz carregada de trevas e sofrimento, logo virou um ícone. Uma entidade.

Entre glórias e sombras: a queda e a ascensão

Em 1979, Ozzy foi demitido da banda por causa do vício. Álcool, drogas, noites sem fim… o abismo o puxou com força. Mas como um fênix bêbado e barulhento, ele ressurgiu. Lançou uma carreira solo meteórica, com hits como “Crazy Train”, “No More Tears” e “Mama I’m Coming Home”. Era o mesmo Ozzy, só que agora mais perigoso, mais ousado — e mais amado.

Seu último álbum, Ordinary Man, de 2020, contou com participações de Post Malone, Travis Scott e Elton John. Uma ponte entre gerações, mostrando que mesmo aos trancos e barrancos, o Príncipe das Trevas ainda tinha luz.

O rei das polêmicas — e dos morcegos

Claro, não dá pra falar de Ozzy Osbourne sem lembrar dos episódios mais insanos do rock. O mais famoso? A mordida no morcego.

Era 1982. Um fã joga um morcego morto no palco. Ozzy, achando que era de plástico, morde a cabeça do bicho em pleno palco. Resultado? Corrida pro hospital, vacinas contra a raiva e uma lenda nascida ali, no susto. Depois, brincou:

“Não tinha gosto de nada… só estava frio.”

Esse era Ozzy. Um cara que transformava acidentes em eternidade.

Fica a lenda, o legado e o trovão

A causa da morte de Ozzy não foi divulgada. Sabemos apenas que ele enfrentava sérios problemas de saúde nos últimos anos, incluindo um diagnóstico de Parkinson em 2020. Mesmo assim, sua presença nunca deixou de ser sentida.

Hoje, o rock perde um titã. Um cara que gritou contra tudo e contra todos, que caiu mil vezes e se levantou em cada uma delas com ainda mais fúria. Ozzy não era só um vocalista — ele era o próprio grito do metal. Um trovão que ecoou por décadas e que agora, finalmente, se cala.

Mas sua voz… essa ainda vai ressoar pelos séculos.

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